sexta-feira, 28 de junho de 2013

O Brasil precisa de uma reforma no JUDICIÁRIO . Aguarde o povo não é cego. Tem cabimento, a pena de um corrupto é uma gorda aposentadoria!

Mesmo condenados, desembargadores potiguares continuarão recebendo altos salários

Data: 28 junho 2013 - Hora: 14:14 - Por: Portal JH
Osvaldo Cruz foi presidente quando Carla Ubarana teria começado a “atuar” na divisão de precatórios. Rafael Godeiro chegou depois mas, segundo Ubarana, pediu para que esquema continuasse no TJ. Foto: Divulgação
Osvaldo Cruz foi presidente quando Carla Ubarana teria começado a “atuar” na divisão de precatórios. Rafael Godeiro chegou depois mas, segundo Ubarana, pediu para que esquema continuasse no TJ. Foto: Divulgação
A cada nova condenação sobre a Operação Judas, que apontou o desvio de R$ 14 milhões do setor de precatórios do Tribunal de Justiça do RN, parece só aumentar o sentimento de impunidade. Afinal, depois que Carla Ubarana e George Leal, réus confessos do esquema, já estão livres depois de ficarem menos de dois meses presos, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmou nesta quinta-feira que os desembargadores e ex-presidentes do TJ, Osvaldo Soares Cruz e Rafael Godeiro Sobrinho tiveram participação direta nas irregularidades. O problema, neste caso, é a pena imposta a eles: a aposentadoria compulsória, que garantirá que eles não voltarão ao trabalho no Tribunal mas permitirá que recebam pelo resto da vida (a não ser que outro órgão decida o contrário), o salário base de desembargador, que gira em torno dos R$ 24,3 mil por mês.
A aposentadoria compulsória, a máxima punição que o CNJ pode aplicar a um profissional infrator, na realidade, só vai impedir que os dois continuem recebendo algumas garantias e benefícios pagos a quem está na ativa. Alias, aos dois não. A Osvaldo Cruz, porque Rafael Godeiro está aposentado desde maio, quando chegou ao 70 anos. Tanto é assim que ele já foi oficialmente substituído por Ibanez Monteiro, promovido por merecimento à Corte Potiguar.
Além disso, impedir que eles voltem ao trabalho e possam cometer outro “erro” como o que o levou para condenação. O problema é que, quando se fala de desembargadores, o pagamento deles já é o maior pago pelo funcionalismo público potiguar, uma vez que o teto é, justamente, o salário de desembargador do TJ.
Contrariando tudo isso, o voto do conselheiro relator Jorge Helio afirmou que “me parece nítido é que, ainda que afastemos a hipótese de participação consciente e motivada no esquema, restam duas hipóteses: o desembargador assinou os cheques sem o mínimo de cautela ou assinava cheques em branco, depois preenchidos”.
Em um voto de 142 páginas, que começou pela manhã e se estendeu até a metade da tarde, o relator do processo administrativo disciplinar, conselheiro Jorge Hélio, rebateu as principais argumentações da defesa dos magistrados, de que as assinaturas nos documentos que autorizaram os pagamentos não eram autênticas ou de que os desembargadores teriam assinado documentos posteriormente preenchidos.
O esquema, segundo as informações que constam no processo, esteve em funcionamento entre os anos 2007 a 2011. “Os pagamentos dos precatórios seguiam aparentemente normais, o que se fazia era a partir das sobras de caixa”, relatou o conselheiro.
Os recursos eram sacados ou transferidos por meio de cheques nominais, transferências diretas e das chamadas guias de depósito judicial ouro. Os beneficiários eram sempre pessoas estranhas a processos de precatórios do Tribunal e sempre relacionadas à ex-chefe do setor, Carla de Paiva Ubarana Araújo Leal e a seu marido, George Luís de Araújo Leal. Os dois já foram condenados a 10 e 6 anos de prisão, respectivamente, e estão cumprindo pena em regime fechado.
Osvaldo Soares Cruz e Rafael Godeiro Sobrinho respondem ainda a processo criminal que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os dois magistrados já haviam sido afastados de seus cargos e recentemente o desembargador Rafael Godeiro Sobrinho foi aposentado por ter alcançado o limite de 70 anos de idade.
Apesar disso, o conselheiro Jorge Hélio pediu a condenação do desembargador Rafael Godeiro Sobrinho, por haver outras consequências decorrentes da punição na esfera administrativo-disciplinar, como o impedimento ao exercício da advocacia ou a incapacidade de ocupar cargo em comissão no Judiciário. “A aposentadoria compulsória por idade não extingue a punibilidade do magistrado por descumprimento de seus deveres funcionais por fatos ocorridos enquanto ele exerceu o cargo”, argumentou. “Foi uma inovação na jurisprudência do CNJ”, complementou.
O voto foi seguido por todos os conselheiros presentes, com exceção do conselheiro Silvio Rocha, que entendeu não caber punição do CNJ em relação ao desembargador Rafael Godeiro Sobrinho, uma vez que ele já foi aposentado. “Vossa excelência encerra com chave de ouro a sua participação nesse Conselho, com esse voto lapidar”, disse o conselheiro Wellington Saraiva. “Confesso que eu tinha algumas dúvidas em relação a alguns pontos desse processo, mas todas foram devidamente elucidadas com a leitura do voto”, declarou o conselheiro Guilherme Calmon.
SUPERSALÁRIOS
Como o Tribunal de Justiça do RN não publica o vencimento dos seus salários, não há como saber quanto os dois desembargadores receberam nos últimos meses, contudo, em julho do ano passado (o processo no CNJ começou em maio, ou seja, os dois já estavam afastados nessa época) a lista de vencimentos denunciou os supersalários da dupla Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro. Era um pagamento de, aproximadamente, R$ 35 mil por mês (valor bruto).
A quantia, por sinal, faz os dois ex-presidentes configurassem na lista dos “super salários”, apresentada pelo TJ, visto que estão acima do teto constitucional, que é o subsídio de um desembargador, no valor de R$ 24,1 mil. Com vantagens eventuais e adicionais ao salário, a remuneração. Contudo, quem recebeu mais em junho deste ano foi um juiz de 2ª entrância, que recebeu R$ 37.804,63, devido à vantagens e outros adicionais.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A dinheirama que foi transferido pelo governo federal de 01/2013 a maio de 2013 para Serra do Mel RN ,isso fora o ISS municipal, aja dinheiro e onde estão os investimentos?

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Total destinado ao Estado:R$2.701.702.892,12
Total destinado ao Governo do Estado:R$1.331.223.967,56
Total destinado aos municípios do Estado:R$1.370.478.924,56
Total destinado ao município SERRA DO MEL:R$7.053.571,87


Selecione o(a) "Ação Governamental" para obter o detalhamento do valor
Caso queira outra classificação, clique no título da coluna correspondente
FunçãoAção GovernamentalLinguagem CidadãTotal no Ano (R$)
Educação8744 - Apoio à Alimentação Escolar na Educação Básica67.752,00
Educação0969 - Apoio ao Transporte Escolar na Educação BásicaPNATE 43.967,22
Educação0515 - Dinheiro Direto na Escola para a Educação BásicaPDDE 82.880,00
Encargos Especiais0C33 - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEBFUNDEB 1.282.141,61
Encargos Especiais0045 - Fundo de Participação dos Municípios - FPM (CF, art.159)FPM - CF art. 159 2.958.996,79
Encargos Especiais0999 - Recursos para a Repartição da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE-CombustíveisCIDE - Combustíveis 1.080,61
Encargos Especiais099B - Transferência a Estados, Distrito Federal e Municípios para Compensação da Isenção do ICMS aos Estados Exportadores - (art. 91 ADCT)Transferências - LC n.º 87/96 e 115/2003 1.530,64
Encargos Especiais0369 - Transferência da Cota-Parte do Salário-Educação (Lei nº 9.424, de 1996 - Art. 15)Cota-parte dos Estados e DF do Salário-Educação 79.848,96
Assistência Social8442 - Transferência de Renda Diretamente às Famílias em Condição de Pobreza e Extrema Pobreza (Lei nº 10.836, de 2004)Bolsa Família 1.715.498,00
Encargos Especiais006M - Transferência do Imposto Territorial RuralTransferência - ITR - Municípios 282,98
Encargos Especiais0550 - Transferências de Cotas-Partes da Participação Especial pela Produção de Petróleo e Gás Natural (Lei nº 9.478, de 1997 - Art.50)Royalties 5.017,06
Encargos Especiais0548 - Transferências de Cotas-Partes dos Royalties pela Produção de Petróleo e Gás Natural (Lei nº 9.478, de 1997 - Art.48)Royalties 764.676,97
Encargos Especiais0551 - Transferências do Fundo Especial dos Royalties pela Produção de Petróleo e Gás Natural (Lei nº 7.525, de 1986 - Art.6º)Royalties 49.899,03

terça-feira, 25 de junho de 2013

O povo Brasileiro exige respeito.

 § 1 da Constituição Federal de 88

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Constituição Federal de 1988

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição
A corrupção na politica e  infidelidade deles com o povo que os elegem quebra  o pacto constitucional pois, eles pensava que o povo não ia acordar e tai , o povo nas ruas, desse imenso país varonil  o congresso nacional , governadores e prefeitos, todos estão fadados ao ostracismo  pois,  lugar de traidor é no fosso da escuridão absoluta . O país precisa de políticos comprometido com as verdadeiras causas populares como: Educação , saúde , segurança e assistência social , não se admite mais que o dinheiro público (corrupção) seja desviado ou roubado. O povo do Brasil exige respeito e não pense que o nosso povo é besta.  


   

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Governadores e a Presidenta Dilma monta pauta para atender mobilização popular.

Em reunião com governadores, Dilma defende plebiscito para reforma política

Encontro com líderes de Estados e das capitais vai definir propostas para atender à pauta de reivindicações dos protestos recentes

24 de junho de 2013 | 17h 34



Em reunião com governadores e prefeitos das capitais brasileiras, a presidente Dilma Rousseff propôs nesta segunda-feira, 24, a realização de um "plebiscito popular que autorize o funcionamento de processo constituinte específico para fazer reforma política". Segundo Dilma, "o Brasil está maduro para avançar e já deixou claro que não quer ficar parado onde está".
O encontro foi convocado pela presidente após os protestos que tomam conta das ruas do País desde a semana passada. Na abertura da reunião, a presidente apresentou os cinco pactos a serem discutidos: reforma política, responsabilidade fiscal, saúde, educação e transporte público.
Dilma defendeu uma reforma que amplie a "participação popular e os horizontes da cidadania". "Esse tema (reforma política) já entrou e saiu várias vezes da pauta do País. É necessário que, como entrou e saiu várias vezes, tenhamos a iniciativa de romper o impasse", afirmou a presidente.
Dilma também destacou como "prioridade ao combate à corrupção de forma ainda mais contundente do que já vem sendo feito em todas as esferas". Para a presidente, uma iniciativa fundamental para combater a corrupção é que se "crie uma nova legislação que classifique a corrupção dolosa como equivalente a crime hediondo com penas muito mais severas".
De acordo com a presidente, todas as esferas administrativas e todos os Poderes devem se esforçar também para implantar de forma plena a Lei de Acesso à Informação, que dá ao governante mais instrumento de combate à corrupção. "Precisamos agilizar a implantação da Lei de Acesso à Informação", afirmou Dilma.
Por mais de uma vez, Dilma falou sobre a necessidade de ouvir as "vozes das ruas". "As ruas estão nos dizendo que o País precisa de serviços públicos de qualidade, mecanismos mais eficientes de combate à corrupção, representação política permeável", destacou.
Transporte público. Dilma afirmou que vai destinar mais R$ 50 bilhões para novos investimentos em obras de mobilidade urbana. "Essa decisão é reflexo do pleito por melhoria no transporte coletivo no nosso País", afirmou.
A presidente disse que o pacto proposto precisa assegurar participação da sociedade na discussão política do transporte. "Estou criando o Conselho Nacional de Transporte Público, com a sociedade civil e usuários", explicou. "A criação de conselhos semelhantes em municípios será extremamente importante", disse a presidente, remetendo ao compromisso de prefeitos nessa tarefa. Antes do encontro com governadores e prefeitos, Dilma recebeu integrantes do Movimento Passe Livre (MPL), que liderou os protestos contra o reajuste da tarifa do transporte público em São Paulo.
Saúde. Para saúde, terceiro pacto proposto, Dilma retomou a intenção de contratar médicos estrangeiros para atuar em cidades onde há falta de profissionais, além de investimentos em hospitais. "Quero acelerar os investimentos já contratados em hospitais e Unidades de pronto atendimento", disse Dilma, ao anunciar que o governo vai acelerar o envio de médicos para o interior e para a periferia das grandes cidades, onde não existem estes profissionais, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo Dilma, médicos estrangeiros também serão contratados para atender as áreas hoje descobertas de profissionais de saúde. Já prevendo as críticas que sofrerá ainda mais por causa desta decisão, a presidente Dilma avisou que esta "é uma medida emergencial". Dilma ressaltou a contratação de médicos estrangeiros, "não se trata de medida hostil ou desrespeitosa" à categoria, mas que tal ação é necessária porque há dificuldade de encontrar médicos em número suficiente e com disposição para trabalhar nestes locais mais afastados.
"A saúde do cidadão deve prevalecer sobre quaisquer outros interesses", declarou a presidente, ao informar que o Brasil continua sendo um dos países do mundo que menos emprega médicos estrangeiros. Eles são, 1,79% no Brasil, contra 37% na Inglaterra e 25% na Austrália. A presidente insistiu que existem "regiões onde a população não tem atendimento médico". E desabafou: "Isso não pode continuar".
 

domingo, 23 de junho de 2013

AS verdadeiras causas das manifestação que campeá o nosso Brasil.

Insatisfação, ampla, geral e difusa

Muitas vezes, a análise jornalística deriva para o campo opinativo. Melhor então ficar com as hipóteses que as certezas. Recente artigo traduzido para o inglês e publicado no site da CNN diz sobre “as verdadeiras causas das manifestações em São Paulo”. Depois alguém postou um outro com legenda e tudo. Em nenhum momento a pessoa se identifica nem fala a qual partido ou organização pertence.
Afinal, quem são eles? O que querem? Quem os subsidia?

Contudo, antes é preciso lembrar da sequencia cronológica de eventos. Começou com a mobilização pelo passe livre, bandeira de partidos de extrema esquerda que entre outras perspectivas pedem em seu programa de governo o “fim do capitalismo” e a adoção, como princípio político, “a ditadura do proletariado”. Não merece comentários a incapacidade da esquerda latino americana de reciclar o marxismo, tampouco sua visão estanque e quadrada da realidade social. Há uma paralisia mental que não consegue perceber que é vital ressignificar o socialismo e o que se entende por justiça social. Isso, se quisermos ter qualquer viabilidade democrática em nossos tempos.

Entre os integrantes do MPS há gente autenticamente indignada mas entre eles estão grupos anarquistas, trotskistas, juventude do PT, agrupamento freelances, e, mais recentemente, parece que ajuntaram-se a eles torcidas organizadas e MMA autônomos. A polícia reagiu, ao que parece com intensidade um pouco maior do que a situação pedia, e ai começou, de fato, a se desenrolar o que realmente interessa para construir hipóteses.

A instrumentalização se tornou patente e enquanto o governador se degastava opinando, o prefeito titubeante se calava. Só depois, tardiamente, acenou de Paris que a culpa pelo acirramento dos conflitos era da polícia militar do estado. Muito conveniente. Após uma semana tergiversando resolveu sentar-se com os manifestantes. O que isso indica? Que o que está em jogo de imediato é, na verdade e de fato, a sucessão ao governo de São Paulo. Não é a toa que as fichas lançadas e jogadas de vários cantos do país estão vindo parar neste Estado.

A migração das reinvindicações que nominalmente visava coibir 20 centavos, foi óbvia. Agora já é saúde, educação, e a notícia fresca é que já um subgrupo “contra a copa” além de outros varejos. Isso aumenta a evidencia de que a expansão da agenda não era tão espontânea. Agora já incorporam — é preciso dizer que são, todos eles, argumentos válidos — salário dos políticos, fila em hospitais, malversação dos recursos públicos e a infinidade dos truques de praxe, cometidos contra todos nós.

Mas, de novo, o que nos diz esta inconclusiva miscelânea?

O artigo acima mencionado, publicado em site internacional de alta visibilidade desfila uma série de fatos verdadeiros, seu erro fundamental está em alinhava-los de forma maniqueísta e superficial. De fato, há a volta da inflação, incompetência, gula fiscal e a divisão de poderes está seriamente ameaçada. Tudo isso procede. O que não procede é o timing e o discurso. A organização dos manifestantes tomou tudo isso conscientemente como pauta e agora saíram do esconderijo apenas para mostrar força? Tudo pareceu informal demais, amador, para depois se apresentar com legendas em inglês? Ou faziam testes? Balões de ensaio para testar as instituições? 

Quando multidões com posturas muito heterodoxas se juntam, espere pelo pior. O que os aglutinou e pode continuar aglutinando é o motivo pelo qual, possivelmente, logo adiante, os desunirá. A consistência não pode ser de mentirinha, nem a insatisfação tão ampla, geral e difusa. Vai para muito além da política econômica e do passe livre. Numa sensação de desgoverno e de insegurança, a anomia opera, como aliás em menor escala já se impunha na segurança pública. E o maior perigo não são eles (minoria agitada e barulhenta) mas a instrumentalização e a conotação que os partidos e lideranças irresponsáveis, estão tentando imprimir ao movimento.

Se um movimento tem poder para se organizar é obrigatório que controle seus afiliados. Se não consegue controlar aqueles que se infiltram e os que se excitam com violência, precisa parar de funcionar ou assumir a responsabilidade – e enfrentar as consequências — pela guerrilha. Isso, antes que apareça um defunto para encorpar a pauta. É o que muitos dos atiçadores precisam, mais do que nunca, para espalhar a propaganda. E a radicalização só vai servir à causa do poder e incrementar a violência.

Caso assim prossiga este movimento – que poderia ser o fato novo e o descongelamento da hibernação imobilista – deixará de ser uma mobilização democrática e se tornará mais uma turba contra a maioria da população, que aliás até ensaiava enxergar com simpatia a causa. Afinal, quem não quer melhorar o transporte público das cidades?

Porém, cometeram grosseiro erro de cálculo. A presença de coquetéis molotov, soco inglês, tchacos e outras armas brancas de guerra, mostram que muitos vieram dispostos à porrada. Derrubaram lixo, tocaram fogo, fizeram barricadas, apedrejaram ônibus e descontrolados continuaram a depredar nas ruas. O que passaram a evocar no imaginário popular já não é exatamente simpatia.

Quanto mais difusa e inominada for essa insatisfação, maior o risco de que eles se posicionem emulando um clima de guerra civil – e evidentemente não temos nenhum indício, nem motivos, de que isso prosperaria por aqui. Fermento para que o bolo cresça há, o que não é legitimidade para que paralisem a cidade com suas lamúrias e ações autoritárias. Impor uma agenda a milhões e impedir as pessoas de circular é, sim, típico das arregimentações fascistas. 

Se saíram ou não de trás dos computadores, da periferia, da USP, ou de casas ensolaradas dos jardins pouco importa. Passa a importar, e muito, o conteúdo e o alcance das ações: se são jovens mimados/agressivos que querem incendiar a cidade ou gente que quer transformar o país – a legítima utopia — com o único recurso apropriado numa democracia: votos e resistência não violenta.

Autor: Paulo Rosenbaum é médico e escritor. Mestre e PhD em ciências, é pós-doutor em medicina preventiva (USP). É autor de "A Verdade Lançada no solo